A obesidade é a doença nutricional mais frequente em cães, em gatos e em humanos nas sociedades mais desenvolvidas e excede a soma das doenças nutricionais por carências.
Considera-se que um animal é obeso quando o seu peso superar em 15% o peso óptimo, que também é o ponto em que começam a aparecer problemas de saúde, daí derivados.
FACTORES QUE PREDISPOEM Á OBESIDADE
-A incidência da obesidade aumenta com a idade, sendo que os animais idosos, têm mais depósitos de gordura, menor massa muscular e menor actividade física, requerendo, por isso, 20% menos calorias que os animais jovens e activos.
-A obesidade tem maior frequência nas fêmeas.
-A castração é outro factor predisponente para o aumento de peso, pois diminui as
necessidades calóricas, aumentando o apetite do animal.
-Em relação às raças, as mais propensas são: Labrador, Cocker, Teckel, Basset hound, etc.
-Os donos obesos costumam ter cães e gatos obesos, assim como donos de idade avançada; isto deve-se ao pouco exercício que costumam fazer estas pessoas e os seus animais, assim como à tendência que têm de alimentar os animais com comida caseira.

EFEITOS DA OBESIDADE
Além da pior aparência física que produz a obesidade, os animais gordos são menos activos e pouco sãos. Têm uma vida mais curta e estão predispostos a sofrer diversos tipos de doença:
Alterações articulares e de locomoção: mais de 24% dos cães francamente gordos
têm problemas importantes relacionados com a locomoção.
Os problemas mais frequentes são artrite/artrose, hérnias discais e ruptura dos ligamentos cruzados anteriores. A causa é o super-esforço das estruturas implicadas, ligado à diminuição da massa muscular.
Dificuldades respiratórias: sobretudo quando fazem exercício. Deve-se à maior
quantidade de O2 necessária para oxigenar os tecidos existentes em excesso. Além disso, o excesso de depósitos gordos que envolve o tórax dificulta a expansão do mesmo, aumentando o esforço respiratório, diminuindo a eficiência da respiração e, às vezes, conduzindo à hipoventilação. Estas alterações são reversíveis quando o animal emagrecer.

Hipertensão: agrava-se com a obesidade e reduz-se com a diminuição de peso. A sobre-alimentação produz uma estimulação do sistema nervoso simpático, o que, por sua vez, contribui para o aumento da incidência de hipertensão e de doenças cardiovasculares. A hipertensão aumenta o risco de doenças vasculares, cardíacas e renais.
Insuficiência cardíaca congestiva, que se deve a:
-Hipertensão.
-Maior trabalho do coração para irrigar oexcesso de massa tissular presentena obesidade.
-Debilidade cardíaca por infiltração gorda.
Alteração da função hepática por lipidose hepática.
•Reprodução: nos machos, há descida da testosterona e inviabilidade do esperma. A inviabilidade do esperma deve-se ao isolamento térmico dos testículos pela gordura que os envolve. Nas fêmeas, há aumento das distócias (partos com dificuldade).
• Diminuição da tolerância ao calor: devido às propriedades isolantes da gordura subcutânea. Isto contribui para a irritabilidade do animal.
• Aumento de problemas de dermatose.
• Aumento de incidência de neoplasias (tumores).
• Aumento do risco e da dificuldade cirúrgica:

-Os anestésicos são captados pelo tecido adiposo, sendo necessária uma maior dose para o efeito, sendo que depois, a recuperação é mais longa e perigosa.
-Diminui o metabolismo hepático e renal dos anestésicos, assim como a sua excreção renal.
-Aumenta o risco de infecções.
• Interferência com procedimentos de diagnósticos:
- Palpação abdominal
- Auscultação (dificulta a audição dos murmúrios cardíacos)
- RaioX (a massa adiposa oculta certas imagens)
- Ecografia (pela mesma razão da radiografia)
• Problemas de obstipação, flatulência e úlceras por alteração da função gastrointestinal.
• Diminuição da resistência às doenças infecciosas, já que diminui a imunidade mediada por células. Além disso, a anorexia, a bacteriemia e a icterícia são mais graves nos animais obesos.
• Alteração na secreção de muitas hormonas
• Aumento do risco de doenças ósseas metabólicas e de deficiência de vitamina D provavelmente por diminuição da exposição à radiação ultravioleta (vital para a activação desta vitamina).

• Aumento do risco de diabetes: por terem sempre níveis elevados de insulina, o que aumenta a resistência dos tecidos à mesma.

Sendo assim, deve-se considerar a obesidade uma doença e não só como um problema que nem sempre se resolve educando os proprietários para que reduzam a quantidade de comida ingerida.

Existem vários pontos possíveis de acção num programa de redução de peso:
Psicológico
É vital convencer todos os membros do agregado da necessidade de que o cão emagreça.
Alguns proprietários não querem reconhecer que o seu animal é obeso. Nestes casos, não é possível resolver nada até esta pessoa admitir que o problema existe.
Exercício
Para conseguir que o animal diminua de peso, temos que produzir nele um défice energético.
Pode-se consegui-lo através da redução da ingestão calórica ou incrementando o consumo de energia pelo organismo, através de exercício físico.
Para começar, é importante ter presente que uma actividade física elevada aumenta o apetite e, portanto, a ingestão de alimento.
No entanto, um exercício ligeiro ou moderado não tem nenhum efeito sobre a ingestão de alimento num animal
previamente sedentário, e até pode contribuir a que diminua o apetite.
Sendo assim, a melhor estratégia é fazer com que o animal realize exercício controlado, sem esquecer que conforme se for reduzindo o peso, há que aumentar a actividade para conseguir o mesmo grau de gasto energético.
O exercício aumenta as possibilidades de sucesso num programa de redução de peso  porque:
• Aumenta o gasto de energia.
• Diminui ou modifica o apetite, se for ligeiro ou moderado.
• Evita a perda de massa muscular e óssea que se produz quando se diminuir a ingestão calórica sem aumentar o exercício.
• Melhora a função cardiovascular.
Se, ao conseguir o peso óptimo, o animal volta à sua dieta normal, mas continua a exercitar-se, previne-se a reincidência da obesidade. Além disso, a pessoa que exercite o animal também beneficiará com a actividade física. 
Controlo da dieta
A maior parte dos programas de redução de peso podem-se realizar com sucesso através da aplicação duma dieta que restrinja a ingestão calórica e cumprindo sistematicamente uma série de normas, estabelecidas pelo médico veterinário.
Para isso, como já referido, é necessária a colaboração do dono e de todas as pessoas que convivem com o animal. Existem no mercado várias gamas de alimento específicos para este tipo de problema.
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